sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

XIV OLIMPÍADAS DO AMBIENTE JUNTAM 38600 ALUNOS

De 563 escolas básicas e secundárias de todos os distritos e ilhas do país, o maior número de sempre de escolas inscritas

A 2ª eliminatória decorrerá no próximo dia 3 de Março.
As Olimpíadas do Ambiente, um dos mais ambiciosos projectos de educação ambiental a nível nacional, tiveram, no presente ano lectivo, uma das maiores participações de sempre (o número de alunos inscritos aumentou 86% face ao valor do ano anterior). Esta iniciativa envolve todos os anos dezenas de milhares de alunos de todos os distritos de Portugal, incluindo as Regiões Autónomas. A 2ª eliminatória está agendada para o próximo dia 3 de Março.
A 1ª eliminatória da 14ª edição das Olimpíadas do Ambiente (OA), projecto desenvolvido pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP-ESB), decorreu no passado dia 8 de Janeiro, onde participaram 38600 alunos de escolas básicas e secundárias de todos os distritos e ilhas do país.
Nesta primeira fase, as XIV Olimpíadas do Ambiente contaram com quase 29500 alunos do 7º ao 9º ano do ensino básico, dos quais 2366 passaram à fase seguinte. Do ensino secundário, participaram cerca de 9100 alunos, dos quais 1374 foram apurados para a 2ª eliminatória, a realizar a 3 de Março nas escolas participantes. Esta segunda fase consiste na realização de um teste escrito com questões de escolha múltipla e duas perguntas de desenvolvimento.
A final nacional terá lugar de 1 a 3 de Maio de 2009, na Área Metropolitana do Porto. Aguardam-se ainda respostas de algumas autarquias para definir o programa definitivo.
O objectivo das OA é incentivar o interesse pela temática ambiental. Pela primeira vez, as OA têm duas novas modalidades de participação: ”Ambiente e Cidadania”, no âmbito da qual os professores foram desafiados a apresentar as acções (com reflexo no Ambiente) que idealizaram e promoveram na comunidade escolar, e “Ambiente e Arte”, na qual as escolas foram desafiadas a criar graficamente a imagem da próxima edição das Olimpíadas do Ambiente (2009-2010).
As OA são uma iniciativa da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, do Zoomarine e da Quercus, contando ainda este ano com o apoio da Motohealth – Segway, da Lipor e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.
Entretanto, a Comissão Organizadora já está a preparar a 15ª Edição das Olimpíadas do Ambiente, que poderá vir a decorrer nos Açores, em Maio de 2010. Como é tradicional, esta iniciativa depende de parcerias estratégicas (com entidades públicas e privadas), pelo que os promotores, convictos do contínuo mérito e crescimento das Olimpíadas do Ambiente, já iniciaram esforços com vista à participação de mecenas que apostem nos mesmos valores desta iniciativa: a cidadania em prol da educação ambiental e da conservação da natureza.
Para mais informações sobre este projecto poderá consultar o site oficial das Olimpíadas do Ambiente www.esb.ucp.pt/olimpiadas

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O BEM E O MAL

Um velho índio Cherokee, sentado ao pé do fogo, explicava ao neto sobre a batalha entre o Bem e o Mal que se trava dentro das criaturas.
Dizia:
"Neto, existem dentro de nós dois lobos permanentemente lutando um com o outro.
Um é o Mal.
É a raiva, a inveja, as lamentações, a culpa, a arrogância, a auto-piedade, o ressentimento, as mentiras, o orgulho falso, o egoísmo."
"O outro lobo é o Bem.
É a alegria, a paz, o amor, a esperança, a serenidade, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.”
O neto pensou por alguns minutos e então perguntou:
“Qual dos lobos vence?”
E o velho Cherokee respondeu:
“Aquele que você alimentar”.

POLUIÇÃO REDUZ NASCIMENTO DE HOMENS

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo
23/12/2008 - 09h22

A poluição atmosférica, a fuligem da queima da cana-de-açúcar e o uso de agrotóxicos nas lavouras têm reduzido o número de nascimentos de bebês do sexo masculino, indicam estudos da USP e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A hipótese é que as substâncias químicas --chamadas de desreguladores endócrinos-- presentes nesses poluentes alterem o mecanismo de regulação do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas e inibam a fabricação de espermatozóides que carregam o cromossomo Y (que determina o sexo masculino).
Diversos estudos na Europa e nos EUA vêm relatando que, além da tendência de declínio na proporção de homens, a exposição ambiental às substâncias químicas pode contribuir para um maior surgimento de cânceres hormônio-dependentes, redução da fertilidade e malformações congênitas.

Uma análise publicada em outubro passado na revista científica francesa "Gynécologie Obstétrique & Fertilité" diz que há 15 anos diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado possíveis associações entre o câncer de mama e os pesticidas que levam na composição desreguladores endócrinos.
No Brasil, ao menos dois trabalhos de pesquisadores da USP mostram que quanto maior o número de partículas suspensas na atmosfera, menor a quantidade de meninos nascidos em regiões de São Paulo.Foram avaliados o nível de poluição medido em 15 estações da Cetesb e o número de nascimentos registrados em cartórios da capital paulista.

Segundo o patologista Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição da USP, entre a área menos poluída e a com maior índice de poluição atmosférica, a diferença da proporção de nascimento de bebês do sexo masculino foi de 1%- 51,7% e 50,7%, respectivamente, com 1.180 meninos a menos na área mais poluída. A análise foi feita entre 2001 e 2003.
"Sempre nascem mais homens do que mulheres [numa proporção média de 51% e 49%] porque a mortalidade masculina é maior. Porém, a proporção de homens vem caindo conforme o nível de poluição da região", diz Saldiva.

Segundo o urologista Jorge Hallak, outro autor do estudo, estudos mostram que o cromossomo Y, que define o sexo masculino, é muito sensível à exposição de agentes químicos presentes na atmosfera. "Há uma morte maior da linhagem germinativa que carrega o Y."

Em trabalho experimental, Hallak observou que ratos expostos à poluição ejaculam menos espermatozóides. "A poluição afeta a qualidade e a quantidade de sêmen."

Em Março, o urologista apresentará em congresso em Roma um estudo inédito feito no interior de São Paulo em que demonstra que as cidades onde há maior queima de cana-de-açúcar --monitorada por satélites-- também têm redução do nascimento masculino.
Agrotóxicos

Nas regiões agrícolas do Paraná, o declínio do nascimento de homens é atribuído aos agrotóxicos, segundo estudo da biomédica e pesquisadora da Fiocruz Gerusa Gibson. A análise foi realizada entre 1994 e 2004, com base nos registros do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O município de Jardim Olinda, no noroeste paranaense, registrou a menor proporção de nascimentos de homens no período analisado. Em 1994, teve uma taxa de 62,5% e, dez anos depois, o índice de nascimentos de meninos caiu para 26%.

Segundo Gibson, os agrotóxicos atuam como desreguladores endócrinos porque, entre os mecanismos de ação, têm estrutura molecular semelhante à de hormônios naturais.

Alguns autores, como o inglês Willian H. James, sugerem que não se pode atribuir a responsabilidade pelo declínio na proporção de nascimento masculino só à poluição ambiental, uma vez que não se sabe como seria tal proporção na ausência dessas partículas poluentes.

Retirado de:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u482598.shtml

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

BIOMASSA

28-12-2008
Dossier: Biomassa


Introdução
A palavra biomassa explica quase imediatamente o seu significado: massa biológica. E do que falamos quando nos referimos a biomassa: “todos os materiais orgânicos não fósseis que contém energia química intrínseca”. Porquê energia química? Todos nos lembramos de aprender na escola o que significa a fotosíntese:
CO2 + H2O + luz + clorofila = CH2O + O2
As plantas ao receberem luz, água e dióxido de carbono produzem conjuntamente com a clorofila (substância vegetal) hidratos de carbono e oxigénio (durante a noite, na ausência de luz passa-se um processo inverso, em que as plantas consomem oxigénio e libertam dióxido de carbono). Sendo assim os materiais orgânicos não fósseis que contenham carbono no seu interior são considerados biomassa: vegetação terrestre e marinha, árvores, resíduos florestais e agrícolas, resíduos urbanos e alguns industriais, esgotos sólidos e dejectos animais (estrume).
Energia renovável?
Antes de responder a esta pergunta, necessitamos de perceber qual a quantidade de energia que existe na biomassa. Seguindo o raciocínio anterior, a quantidade de carbono dará essa quantificação. Por cada mole (grama) de carbono fixado, cerca de 470 KJ são absorvidos. Que parte dessa energia provém do Sol? No máximo cerca de 8 a 15%, no entanto na maioria dos casos não passa de 1%. Se está a começar a ter dúvidas que a biomassa seja um recurso energético interessante, pense na quantidade de lixo que faz por ano, bem como na quantidade de resíduos florestais, na quantidade de estrume produzido pela criação de animais para abate e por último nas extensões dos campos agrícolas. É bastante!
Estima-se que o recurso biomassa passível de ser utilizado seja cerca de 100 vezes maior que as necessidades energéticas mundiais!
Respondendo então à questão: a biomassa é um recurso renovável se o seu consumo não for superior à sua reposição. Pense numa floresta e vá retirando árvores a um ritmo maior do que as repõe, o recurso não é renovável. Se por outro lado o consumo da matéria florestal, que liberta CO2 for acompanhado de replantação de nova matéria florestal, o CO2 libertado vai ser absorvido no crescimento da árvore, encerrando o ciclo do CO2, sem aumentar a sua concentração na atmosfera.
Este raciocínio aplicado aos resíduos urbanos, esgotos sólidos, estrume e alguns resíduos industriais não é válido, a não ser que a utilização dessa biomassa seja feita em conjunto com a florestação, o que não é o caso nas cidades, mas pode ser numa quinta. Qual a solução utilizada? A digestão anaeróbia, sem oxigénio, dos resíduos orgânicos liberta um gás – biogás – rico em metano, que pode ser convertido em metanol ou usado nessa forma. Neste caso temos um gás proveniente de um recurso não reutilizável e com potencial energético de substituir gases provenientes de compostos fósseis (em algumas aplicações) como o gás natural. No caso do estrume, o biogás é libertado imediatamente para a atmosfera, sendo aconselhável o seu armazenamento, evitando assim o aumento de GEE (gases de efeito estufa) na atmosfera.
Para acabar este tema, deve-se falar no etanol, que pode ser obtido a partir da fermentação de algumas culturas agrícolas como o milho e nos bio-diesel, provenientes do girassol – óleo de girassol, beterraba – óleo de colza e outros, que podem funcionar como aditivos à gasolina normal, sem prejudicar o motor e contribuindo para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.
Tecnologias energéticas
Sem querer repetir o que apresentamos no nosso site referente à biomassa e às suas aplicações, abordaremos muito sucintamente o que existe já como passível de ser utilizado:
- recursos vegetais para aquecimento e produção de energia em regime combinado como lenha e resíduos florestais como as pinhas. Os peletes são pequenos concentrados de madeira, altamente energéticos, que podem ser usados a nível residencial para aquecimento central e de água sanitárias, como apoio ao solar, por exemplo. Esta solução é já comercializada na Alemanha, Suíça e Áustria (pelo menos).
- centrais de compostagem (digestão anaeróbia) – instaladas em aterros para a produção de biogás, podendo este ser usado na produção de electricidade por um processo semelhante ao da cogeração com gás natural. O aterro tem de ser tapado, devidamente isolado e com pequenas “chaminés” onde o biogás é recolhido. Em Portugal estava projectada uma central deste tipo como projecto piloto na Valorsul (desconhecemos o estado actual do projecto).
- biodigestores associados a locais de criação de animais para abate para aproveitamento de biogás, sendo este transformado na sua forma líquida, passível de ser usado como combustível. Este caso é de excepcional utilidade, porque os dejectos animais não precisam de sofrer digestões anaeróbias para produzir biogás. A libertação deste gás directamente para a atmosfera implica a libertação de metano, o que é ainda pior que o CO2.
- culturas energéticas como complemento agrícola – (óleo de) girassol, colza (beterraba), soja, milho (etanol) entre outras. Esta possibilidade garante ao agricultor um segundo retorno financeiro para além do agrícola e pode mesmo salvar o ano quando em termos agrícolas a colheita for de fraco rendimento. Foi bastante utilizado no Brasil, levando mesmo à inversão deste conceito com péssimas consequências. O equilíbrio é sempre a chave do sucesso!
Panorama nacional
Não temos boas notícias, infelizmente! Pouco ou nada tem sido feito a nível local e regional para implementar soluções integradas com base nos recursos e necessidades próprias de cada região. A questão dos resíduos urbanos tem sido muito discutida nos meios de comunicação, mas ouviu-se apenas falar na co-incineração, tendo sido referido a reciclagem muito marginalmente. A co-incineração deve ser vista como último passo, depois da reciclagem e da eventual produção de biogás. Lembremo-nos que não temos nenhum recurso fóssil endógeno, mas produzimos toneladas de lixo por ano. A co-incineração é útil, mas deve ser encarada como parte de uma estratégia e não como a estratégia.
Possivelmente o único aparente avanço foi o concurso de 15 centrais de produção de energia eléctrica com base na Biomassa.
A nível das suiniculturas, vacarias, aviários e outras explorações de animais para abate, existem um grande número de biodigestores, mas ainda com pouco ou nenhum enquadramento geral dentro da política energética nacional. Refira-se ainda que os efluentes provenientes de um biodigestor são estrume de muito melhor qualidade que o estrume inicial.
A lenha, que representa cerca de 6% do total de fontes de energia primária a nível nacional, pensa-se ter na realidade um peso de 12%, já que muito do abate florestal é feito fora dos circuitos comerciais. Os peletes circulam no nosso mercado, mas a solução híbrida peletes/solar ou peletes/gás não é usada e mais uma vez tratam-se ainda de tecnologias marginais e mal conhecidas pelo comum cidadão português.
Estamos a falar de um recurso abundante no nosso país, que se devidamente utilizado, geraria empregos, resolveria parte do problema dos resíduos urbanos, valorizando-os, e diminuiria a nossa dependência de combustíveis fósseis.
Bibliografia
www.bera1.org (Biomass Energy Research Assiciation)- www.energyquest.ca.gov- Collares Pereira, Manuel – 1998, Energias renováveis, a opção inadiável. SPES – Sociedade Portuguesa de Energia Solar.PER

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

EMPREGOS AMIGOS DO AMBIENTE

Green Jobs
Produção e serviços «amigos do ambiente» são negócios lucrativos

Os green jobs estão no caminho certo. As funções, tarefas e trabalhos que têm um impacto significativo na preservação e recuperação da qualidade ambiental, também apelidados green jobs, são cada vez mais numerosos e lucrativos. Este sucesso é sintomático de uma nova economia mais direccionada para a poupança, para a eficácia na utilização de recursos e para a valorização das competências. A tese é defendida pela ILO (Organização Internacional do Trabalho) no seu último relatório «Green Jobs».
Publicado por:

Liliana Marujo Data: 17 de Fevereiro de 2009

Actualmente, o mercado de fornecimento de produtos e serviços «verdes» vale mil biliões de euros e valerá 2200 biliões dentro de 12 anos, segundo o relatório. Apenas no sector das energias renováveis, trabalham cerca de 2,3 milhões de pessoas. A ILO garante ainda que o número de empregos e funções com elevado impacto na preservação ambiental, bem como o valor financeiro dos respectivos mercados, deverá crescer significativamente nos próximos tempos. A necessidade de combater as alterações climáticas, criar e promover energias renováveis e ainda a necessidade reutilizar os recursos são essenciais para o desenvolvimento de uma economia sustentável. Aqui deixamos uma retrospectiva do estado da arte dos green jobs em cada um dos sectores. Neste âmbito, a investigação e desenvolvimento é muito importante. Países como a Alemanha, o Japão, a China, o Brasil e os Estados Unidos são os mais activos no I&D. O aumento do interesse económico na criação e comercialização de energias renováveis vai fazer com que os níveis de emprego nesta área aumentem significativamente: a energia eólica deverá empregar 2,1 milhões de pessoas e a energia solar cerca de 6,3 milhões até 2030. Cerca de 12 milhões novos postos de trabalho na agricultura e indústria relacionada com bio combustíveis serão criados, segundo o relatório da ILO.

Energias renováveis

Actualmente, o sector da produção e difusão de energias renováveis é o que mais postos de trabalho cria e o que deverá crescer mais nos próximos tempos. No total, são cerca de 2,3 milhões trabalhadores a desempenhar funções neste sector.

Sector da Construção
Apesar de ser difícil definir quais as funções, tarefas ou postos de trabalho dentro do sector da construção que possam ser consideradas «verdes», a ILO tentou perceber de que forma o sector tem evoluído em termos mundiais. Os green jobs no sector da construção passam pelo desenvolvimento de edifícios e dos seus componentes (sistema de ventilação, aquecimento de água, equipamento de escritório) energeticamente eficientes, bem como a requalificação de equipamentos mais antigos. Os empregos daqui decorrentes podem ser: arquitectos, projectistas, designers, engenheiros, gestores de projecto com competências na área da eficiência energética e que desenvolvam trabalhos «verdes». A necessidade de aumentar a capacidade de produção de energia por parte dos edifícios e a sua eficácia no uso da energia, são factores determinantes na criação de postos de trabalho.

No entanto, este tipo de funções requer recursos humanos com elevadas qualificações. O relatório da ILO prevê que, com a requalificação da indústria de construção na UE e nos Estados Unidos – tornando-a mais eficiente energeticamente – seria possível criar dois milhões novos postos de trabalho. Para cumprir à risca o objectivo da ETUC (European Trade Union Confederation) de reduzir em 75 por cento as emissões de Co2 para a atmosfera até 2030, deverão ser criados 3,5 milhões novos postos de trabalho.

Sector do Transporte
Este é o maior consumidor de energias fósseis e um dos principais contribuidores para o aquecimento global. Apesar de, no ramo da aviação, já se destacarem importantes avanços na eficiência energética, estes tornam-se insignificantes face à a rápida expansão do negócio. Para conseguir um impacto significativo é preciso continuar promover medidas relativas aos veículos de transporte terrestre.

Actualmente, as unidades de negócio da indústria automóvel destinadas à produção de carros «verde» têm cerca de 25 mil funcionários. Se queremos ver o aumento deste número, é importante definir estratégias baseadas no encurtamento de distâncias, que possa potenciar a utilização de outros tipos de transporte: a pé, de bicicleta ou transportes públicos.

Um dos sistemas que será capaz de criar um maior número de postos de trabalho nos transportes «verdes» deverá ser o «Rapid Bus Transit». Estão a ser desenvolvidos nas principais metrópoles do mundo inteiro, mas para isso será necessário requalificar os sistemas energéticos dos autocarros – o que é outra excelente oportunidade para a criação de postos de trabalho. A requalificação e fabrico de autocarros que funcionem com base em CNG (compressed natural gás) ou em sistemas eléctricos e híbridos são tarefas capazes de criar um elevado número de novos postos de trabalho e já estão a ser levados a cabo em países como a Índia, a China e o Paquistão.

Em Nova Deli, por exemplo, a introdução de 6100 autocarros baseados em sistemas e CNG vai criar 18 mil novos postos de trabalho, de acordo com o relatório da ILO.

Indústria e Reciclagem
As indústrias de extracção e produção de matérias-primas como o aço, alumínio e pasta de papel consomem muita energia e é complicado criar postos de trabalho que se possam chamar «verdes». No entanto, com o aumento da eficiência dos materiais e do uso da energia, bem como da reciclagem de materiais, é possível aumentar o número de funcionários e reduzir o impacto destas indústrias, de acordo com o estudo.

O caso do aço é sintomático. A produção de aço na China representa já 38 por cento da produção mundial. Apesar de terem sido conseguidos alguns resultados, a China fica muito atrás da Coreia do Sul, do Japão e da Europa de Leste no que diz respeito à eficiência energética na produção de aço. A reciclagem de aço poupa cerca de 40 a 75 por cento da energia necessária para extrair a tratar aço.

Uma das boas noticias relaciona-se com a recuperação e re-processamento de resíduos, que neste momento emprega cerca de 2700 pessoas nos Estados Unidos. O estudo compara estes níveis de produtividade com os restantes países e conclui que, se todos fizessem o mesmo, poderiam ser criados no total cerca e 25 mil novos postos de trabalho.

De acordo com a ILO, tornar a indústria do aço mais «verde» e mais competitiva contribuirá de forma activa para a retenção de trabalhadores. Atravessando neste momento uma fase de redução de número de trabalhadores, a introdução de medidas de a criação de postos de trabalho verdes nesta indústria iria obrigar à retenção de trabalhadores. «A iniciativa ULCOS (Ultra-Low Co2 Steelmaking) da União Europeia é um dos projectos que vai obrigar a indústria a adaptar-se e a tornar-se cada vez mais amiga do ambiente», lembra o estudo. Para o fazerem, as empresas precisam de trabalhadores.

O mesmo de passa com a indústria do alumínio. O estudo atesta que está no bom caminho, no entanto ainda há muito por fazer. A chamada produção secundária de alumínio (a separação do alumínio dos compostos através da electricidade) já representa cerca de 22 por cento de toda a produção de alumínio mundial. Este tipo de produção emprega actualmente 13 mil pessoas no Japão, mais de 10 mil na Europa e perto de seis mil nos Estados Unidos.

O caso da indústria do cimento é mais grave. Sendo a responsável por cerca de cinco por cento dos gases com efeitos de estufa emitidos para a atmosfera, não tem conseguido fazer com que os progressos na redução consigam ter impacto face ao aumento da produção e do consumo.

As três principais produtoras de cimento – a Cemex, a LaFarge e a Holcim – já se comprometeram a baixar o consumo de energia em 20 a 25 por cento nos próximos dez anos. O governo chinês também já começou a regulamentar sobre a energia usada no sector, o que deverá começar a ter impacto na criação de novos postos de trabalho. No entanto, o número de postos de trabalho que serão criados não será assim tão significativo, porque irão requerer elevada qualificação, de acordo com o estudo.

O cenário é mais animador no que diz respeito à produção de papel. A criação e aplicação de regras claras por parte dos governos da Alemanha, Japão e Coreia do Sul estão a desencadear um número elevado de programas de reciclagem. Esta é a forma mais eficiente e rápida de criar green jobs, de acordo com o estudo da ILO. Em 2000, existiam cerca de 9 765 postos de trabalho na área do re-processamento de papel, cerca de cinco mil na reciclagem e 1600 na ordenação apenas no Reino Unido. O Banco Mundial estima que em 2002 existissem cerca de mais de 28 mil postos de trabalho na área da reciclagem no Brasil. A Agência de Protecção Ambiental norte-americana estima que mais de 150 mil pessoas estejam empregadas na indústria da reciclagem do papel. A reciclagem de diversos materiais – que não o papel – também parece estar a ganhar cada vez mais importância no mercado de trabalho mundial, de acordo com o estudo ILO.

A organização acredita que são muitos os postos de trabalho associados à recolha e, recuperação, ordenação e processamento de materiais para reciclagem, no entanto os números são difíceis de contabilizar. Os dados relativos à China são de longe os mais concretos. Estima-se que cerca de 1,3 milhões de pessoas desempenham funções no sistema de recolha de lixo ou de materiais recicláveis. O número de indivíduos envolvidos em todo o processo de reciclagem, reutilização e nova fabricação ascende aos 10 milhões. No Brasil, estima-se que meio milhão de pessoas estejam directamente envolvidas nas funções do processo de reciclagem. O número ascende a um milhão quando nos referimos os Estados Unidos.

Em muitos dos países desenvolvidos em que a reciclagem é já uma realidade, muitos dos trabalhos associados à recolha e separação de materiais são pouco valorizados e considerados «sujos». «São trabalhos que visam em primeiro lugar a venda dos matérias separados, do que propriamente a reciclagem per si», diz o relatório.

Alimentação, agricultura e florestação
O futuro dos green jobs nos sectores da agricultura e alimentação é incerto porque vai depender da intervenção do Estado. Em 2006, cerca de 36,1 por cento da população mundial vivia da agricultura. A diminuição face à percentagem de 44,4 relativa ao ano de 1995 não foi assim tão significativa. Estes valores manter-se-ão elevados no futuro, o que significa que as politicas de eficiência ambiental no sector da agricultura terão um impacto enorme no número de green jobs de todo o mundo.

O sector das florestas, que inclui tratamento, plantação e manutenção, é também marcado por um cenário negro, no que diz respeito aos green jobs. As regras e o debate em torno da reflorestação e da manutenção das florestas mundiais tem conseguido exercer alguma pressão. O IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change – definiu algumas medidas para tornar o tratamento e gestão de florestas mais amigo do ambiente: redução da desflorestação e da degradação florestal; conservação das florestas mais importantes; reflorestação e ainda gestão sustentável das florestas. Estas permitem melhorar o impacto dos trabalhos na preservação ambiental e ainda criar ainda mais postos de trabalho nas florestas. O mesmo acontece com os padrões determinados pela Sustainable Forestry Management Certification, que estão a ter um papel cada vez mais importante nesta matéria, fornecendo receitas de impostos adicionais, melhoria nas condições de trabalho e ainda conformidade com os contratos de trabalho. No entanto, alerta o estudo, há que ainda agir no tipo de trabalho realizado nas florestas, já que tende a ser muito mal pago e sazonal. A ILO considera que as medidas tomadas até agora nos diferentes sectores estão a ter resultados benéficos, mas alerta para a necessidade do aumento de pressão por parte dos governos e organizações regulamentares.
Retirado de:

sábado, 21 de fevereiro de 2009

REINO UNIDO LANÇA PROGRAMA PARA RECICLAR FRALDAS DESCARTÁVEIS

da BBC
20/02/2009 - 12h08

Várias cidades britânicas poderão adotar um esquema para reciclar milhares de toneladas de fraldas descartáveis usadas, transformando-as em produtos que vão de telhas a capacetes para ciclistas. O metano extraído das fraldas é transformado em gás, usado para a geração de energia.

A primeira usina, em Birmigham, deverá entrar em operações em meados de 2010, e estão em discussão planos para outras instalações do tipo nas cidades de Manchester, Liverpool e Londres até 2014.

A usina de Birmigham, que custa o equivalente a US$ 17 milhões, deverá processar 36 mil toneladas de fraldas descartáveis por ano, de acordo com sua operadora, a empresa canadense Knowaste.

As fraldas contém plásticos, fibras, celulose e polímeros absorventes e, de cada tonelada de fraldas reciclada, podem ser extraídos 400 quilos de celulose e 145 metros cúbicos de gás, segundo a Knowaste.

Os bebês usam em média mais de 3.600 fraldas até que aprendem a usar o banheiro. Estima-se que um total de 800 mil toneladas de fraldas por ano --usadas por bebês e pessoas com incontinência-- acabam em aterros sanitários no Reino Unido. Nesses locais, as fraldas podem levar até 500 anos para se decompor, segundo a Knowaste.

A empresa ressalta que os produtos criados a partir da reciclagem são seguros de usar. As fraldas que entrarem na usina serão retalhadas e lavadas. A polpa resultante será tratada quimicamente para que sejam desativados o gel absorvente e para a remoção do plástico. A Knowaste já abriu usinas semelhantes no Canadá e na Holanda.

Retirado de:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u507182.shtml

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

MARCHA MUNDIAL PELA PAZ E A NÃO VIOLÊNCIA

Por quê?
Porque a fome no mundo pode ser resolvida com 10% do que se gasta em armamento. Podemos imaginar como seria, se 30 ou 50% fossem destinados para melhorar a vida das pessoas, em vez de serem aplicados em destruição?
Porque eliminar as guerras e a violência significa sair definitivamente da pré-história humana e dar um passo gigante no caminho evolutivo de nossa espécie.

Porque nos acompanha nessa inspiração a força das vozes de tantas gerações anteriores que sofreram as conseqüências das guerras e cujo eco continua se escutando hoje em todos os lugares onde continuam deixando seu fúnebre rastro de mortos, desaparecidos, inválidos, refugiados e deslocados.

Porque um “mundo sem guerras” é uma proposta que abre o futuro e deseja se concretizar em cada canto do planeta, onde o diálogo vá substituindo a violência.É chegado o momento de fazer ouvir a voz dos sem-voz! Milhões de seres humanos pedem por necessidade que se acabe com as guerras e a violência.
Podemos conseguir isso, unindo todas as forças do pacifismo e da não-violência ativa do mundo.

Quando?
Começará na Nova Zelândia, no dia 2 de outubro de 2009, aniversário do nascimento de Gandhi e declarado pelas Nações Unidas como “Dia Internacional da Não-Violência”. Terminará na Cordilheira dos Andes (Punta de Vacas, Aconcágua, Argentina), em 2 de janeiro de 2010.

Durará 90 dias, três longos meses de viagem. Passará por todos os climas e estações, desde o verão tórrido de zonas tropicais e desertos, até o inverno siberiano.

Quem participa?
A marcha é uma iniciativa do “Mundo sem Guerras”, uma organização internacional que trabalha há 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência.

No entanto, a Marcha Mundial será construída por todos. Está aberta à participação de toda pessoa, organização, coletivo, grupo, partido político, empresa, etc., que compartilhe a sensibilidade deste projeto. Portanto, não se trata de algo fechado, e sim de um percurso que irá se enriquecendo graças às atividades que se coloquem em marcha conforme as diversas iniciativas.

Por isso, convidamos para a participação ativa: que cada um contribua com sua criatividade, à medida que a Marcha passe por cada lugar, em uma convergência de múltiplas atividades com capacidade para tudo aquilo que a imaginação seja capaz de conceber.
Os canais de participação são múltiplos, destacando a participação virtual na MM, através da Internet.

É uma marcha das pessoas e para as pessoas, que pretende chegar à maioria da população mundial. Por isso, convocam-se todos os meios de comunicação para que difundam esta volta ao mundo pela Paz e pela Não-Violência.

O que será feito?
Em sua passagem pelas cidades, serão realizados todos os tipos de fóruns, encontros, festivais, conferências e eventos (esportivos, culturais, sociais, musicais, artísticos, educativos, etc.) que irão sendo organizados à medida que surjam iniciativas em cada lugar.
No momento, já contamos com centenas de projetos que pessoas e organizações colocaram em marcha.

Para quê?
Para denunciar a perigosa situação mundial que está nos levando à guerra com armamento nuclear - um beco sem saída e a maior catástrofe humana da história.

Para dar voz à maioria dos cidadãos do mundo que não estão a favor das guerras nem da corrida armamentista. Todos nós sofremos as conseqüências da manipulação de uns poucos, porque não nos unimos para dar um sinal. É chegada a hora de que cada um demonstre sua postura, seu rechaço. Une teu sinal ao de muitos outros e tua voz terá que ser escutada!

Para conseguir:
- o desaparecimento das armas nucleares;
- a redução progressiva e proporcional de armamentos;
- a assinatura de tratados de não-agressão entre países, a renúncia dos governos a
utilizar as guerras como meio para resolver conflitos.
Para evidenciar outras diversas formas de violência (econômica, racial, sexual, religiosa), escondidas ou disfarçadas pelos que as provocam e para proporcionar àqueles que a sofrem uma maneira de se fazer escutar.

Para, da mesma maneira que aconteceu com a ecologia, criar uma consciência global da necessidade de uma verdadeira Paz e de repúdio a todo tipo de violência.

PF DIVULGUEM ESTA INFORMAÇÃO PELOS VOSSOS CONTACTOS.
Obrigado a todos.

Retirado de:
http://www.marchamundial.org/